Redução Salarial

Por Dra. Luciana C. de Oliveira Arenas, 09 de abril de 2020.

                   Na guerra a morte está anunciada aos que esperarem o inimigo chegar. “Quem não for precavido, e fizer pouco de seus adversários, certamente será capturado por eles. Quando fizer o exército acampar, passe rapidamente pelas montanhas e fique nas proximidades dos vales” (Sun Tzu- A Arte da Guerra).

                        O Governo Federal gastará em poucos meses o que esperava economizar em dez anos com a Reforma da Previdência. A folha de pagamento foi o alvo imediato das empresas após anunciada medidas de isolamento social e restrições à atividade econômica. Não será diferente com os governos, os quais alternativas outras não terão senão revisar sua folha de pagamento, da forma como sutilmente já anunciou.

                        A prudência será o vetor de todos os agentes do ciclo da atividade econômica (família e empresas) e não será diferente com os governos e todos estes em suas relações com o setor externo. Mas a prudência, compostas por ousadia e inteligência, sofre de aversão ao apáticos e desconfia daqueles que se reservam às surpresas e se recolhem na defesa. Também de pouco adiantará atacar aos governos que agirão para ajustar a equação receitas vs despesas, exceto àqueles que defenderão apenas suas agendas. A matemática, a lógica e a razão serão as mesmas para todos e de nada adiantará procurar por culpados, e o imperativo categórico a todas as relações humanas será a sobrevivência aliada a toda a cautela com o próximo. O estado de comiseração, aquele sentimento de piedade e compaixão, possui fronteiras, a sua família e seu sustento. Os mesmos poucos de sempre, cujo propósito não é a sobrevivência e nos quais a virtude não corre em suas veias, manter-se-ão os mesmos, intactos em seus objetivos, e sem qualquer revisão em seus valores.

                        Sabendo daquilo que já lhe fora e do que será privado, pequenos empresários, comerciantes informais, profissionais liberais, empregados celetistas, e todos aqueles que dependem da sua força de trabalho para o seu capital de sustento, exceto o especulativo, lutarão por suas famílias. Não será diferente com os servidores públicos, que se postados no aguardar do inevitável, assistirão sentados parcela de sua renda tolhida pela mesma razão que assistem a outros, sem ter tido antes agido, ou lançado qualquer estratégia de contingenciamento.

                        Todo servidor público é conhecedor de seus direitos e com pouco esforço acaba por recordar o que lhe fora retirado de seus salários por manobras legislativas, impetuosidade de governantes e sutileza dos ímpios peçonhentos. É o que ainda lhe resta questionar, para não ter de atacar o inquestionável, a redução salarial justificada por força maior. Se todos insistirem em contabilizar o que já foi suprimido de seus holerites com manobras sobre a sexta-parte, quinquênio, paridade, integralidade, licença-prêmio, reduções salarias disfarçadas em gratificações, redução de classe na categoria profissional, férias não usufruídas, insalubridade, aumento de alíquotas previdenciárias, e toda a sorte de descontos sem qualquer causa que as justifiquem, certamente verão outra equação e lutarão para não sofrer os abalos de uma provável redução salarial. Lutemos por aquilo que ainda é questionável, pois uma redução salarial justificada no sistema constitucional de crises (calamidade pública), pode não ser questionável.

“Não contra-ataque seus inimigos, fortaleça seus pilares”

                                                                                        Valéria Carvalho Ribella

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